testeSobreviver para contar 

Arte da fuga é um relato sobre o poder da resiliência humana — e sobre os perigos da recusa em enxergar a realidade

Por Vanessa Corrêa*

David Dushman, último homem vivo entre os soldados que libertaram os detentos do campo de concentração de Auschwitz durante a Segunda Guerra Mundial, morreu em junho de 2023, aos 98 anos. Entre os prisioneiros encontrados por Dushman e outros soldados soviéticos em 27 de janeiro de 1945, restam cada vez menos sobreviventes — pessoas que na época eram apenas crianças ou adolescentes e hoje em dia estão em sua nona ou até décima década de vida. 

Em alguns anos, não haverá mais pessoas vivas que passaram pelo horror dos campos de concentração nazistas. Quando isso acontecer, só permanecerão os relatos póstumos das vítimas, histórias que documentam um dos episódios mais sombrios da humanidade e que tornaram nomes como Anne Frank, Elie Wiesel e Primo Levi conhecidos em todo o mundo. 

Para o jornalista e escritor Jonathan Freedland, há um outro nome que, nas palavras dele, deveria estar “no primeiro escalão das histórias que definem a Shoá — o Holocausto”: Rudolf Vrba, cuja trajetória é narrada por Freedland em Arte da fuga

Nascido na Eslováquia com o nome de Walter Rosenberg, Rudolf Vrba assumiu sua falsa identidade após realizar um feito que pouquíssimos judeus conseguiram: escapar de Auschwitz e viver para contar a história. De família judia, foi deportado em 1942, aos 17 anos de idade, e passaria dois anos no campo de concentração até conseguir fugir com o amigo Alfred Wetzler, com o firme propósito de divulgar ao mundo o massacre de judeus arquitetado pelos alemães. 

Se hoje a maioria das pessoas não duvida dos horrores cometidos pelos nazistas nos campos de concentração, na época essas informações eram difíceis de serem obtidas. Hoje, quase oitenta anos depois da liberação de Auschwitz, quando as atrocidades nazistas já foram mostradas em inúmeras reportagens e documentários e recriadas em filmes e peças de teatro, pode parecer óbvio o que acontecia nesses lugares. Mas para o então adolescente foi uma descoberta difícil de ser digerida. 

O livro conta não só a vida de Rudolf Vrba, mas a história do campo de concentração que se converteu em um dos principais símbolos do Holocausto. Forçado a trabalhar em uma grande variedade de tarefas, o prisioneiro adquiriu o que Freedland chama de “um conhecimento abrangente do funcionamento de Auschwitz”. Em sua passagem pelo local, aprendeu como o campo foi usado para fortalecer a economia alemã — primeiro por meio do trabalho forçado dos prisioneiros e, quando as deportações se intensificaram, do roubo dos pertences levados pelos judeus para o que imaginavam ser o início de uma nova vida em assentamentos. 

Em seu trabalho mais difícil nos dois anos em que ficou preso em Auschwitz, Vrba testemunhou a chegada de dezenas de milhares de judeus vindos de toda a Europa para morrer nas câmaras de gás do campo de concentração. Profundamente abalado pelo que via, o adolescente tomou uma decisão: “Se tinha que ser um espectador daquela exibição de horror, então faria de si mesmo uma testemunha. Seria um repórter.” Mais do que uma tentativa de sobrevivência, a ideia da fuga se transformou no único meio de cumprir a resolução de divulgar a existência da máquina de extermínio construída em Auschwitz. 

Vrba tinha a esperança de que, se a notícia das mortes se espalhasse, os judeus remanescentes começariam a resistir à deportação, os países que lutavam contra a Alemanha iriam intervir e os nazistas poderiam ser detidos, o que salvaria centenas de milhares de vidas. No entanto, até o fim da guerra, cerca de 1,1 milhão de pessoas foram mortas em Auschwitz, a maioria judeus.

Além disso, Arte da fuga é também um livro sobre como a mente humana é capaz de se enganar quando confrontada por fatos que parecem aterrorizantes demais para ser verdade. Todas as informações relatadas por Vrba e Wetzler não foram suficientes para fazer com que autoridades em diversos países tomassem providências para deter o massacre de judeus em Auschwitz. Ao longo de toda a sua vida, Rudolf Vrba lamentaria a quantidade de vidas que poderiam ter sido salvas se sua denúncia tivesse sido levada a sério desde o início.  

Nem mesmo os alvos da fábrica de mortes arquitetada em Auschwitz pareciam dispostos a ouvir os fugitivos. O livro mostra como muitos judeus se recusaram a acreditar que não tinham um futuro pela frente após a deportação e continuaram embarcando sem resistência nos trens rumo ao campo polonês. 

Em uma nota em que conta como descobriu a existência de Rudolf Vrba, Jonathan Freedland indica que essa recusa em encarar a realidade continua ameaçando a humanidade. O autor conta que, em 2016, alguns anos antes da publicação do livro e três décadas depois de conhecer a história de Vrba, ele se viu pensando no jovem judeu que escapou de Auschwitz. “Estávamos vivendo a era da pós-verdade e das fake news, […] e mais uma vez pensei no homem que estivera disposto a arriscar tudo para que o mundo pudesse saber a terrível verdade escondida sob uma montanha de mentiras.”

*Vanessa Corrêa é jornalista e redatora, apaixonada por livros, cinema e fotografia. 

teste The Chalice of the Gods, de Rick Riordan, chega ao Brasil em setembro

Convocando todos os fãs do tio Rick! Percy Jackson, o semideus mais amado — e azarado — da literatura, está de volta! The Chalice of the Gods, novo livro da série Percy Jackson e os olimpianos, será publicado no Brasil em lançamento simultâneo mundial!

Nessa nova aventura da série best-seller de Rick Riordan, que já vendeu mais de 4,3 milhões exemplares no Brasil, o filho de Poseidon se prepara para uma de suas missões mais difíceis até agora: entrar na faculdade.

Depois de salvar o mundo inúmeras vezes de monstros, titãs e outras criaturas aterrorizantes, tudo que Percy deseja é que seu último ano no ensino médio seja tranquilo. Infelizmente, os deuses têm outros planos para o jovem herói. Se ele quiser mesmo entrar na universidade, terá que cumprir três missões para conquistar três cartas de recomendação vindas diretamente do Monte Olimpo.

A primeira missão envolve ajudar o deus Ganimedes, o copeiro de Zeus, a recuperar seu cálice antes que ele caia nas mãos erradas. Será que Percy, Annabeth e Grover conseguirão achar o cálice dos deuses a tempo? 

A história de Rick Riordan sobre um adolescente com TDAH que descobre ser filho do deus do mar e precisa navegar entre o mundo humano e o divino se tornou um best-seller e formou uma geração de leitores apaixonados, que até hoje acompanham a saga de Percy e seus amigos. O sucesso da série chegou também às telas, em uma adaptação da plataforma de streaming Disney+ com estreia prevista para 2024. 


The Chalice of the Gods (ainda sem título em português), chega às livrarias brasileiras no dia 26 de setembro para a alegria de todos os semideuses. 

testeConto extra de Melhor do que nos filmes narra cena inesquecível pelo ponto de vista de Wes

Melhor do que nos filmes conquistou o coração dos leitores de romance ao narrar a incrível história de Elizabeth Buxbaum, uma romântica incurável que sonha em viver seu “felizes para sempre”. Apaixonada por Michael desde a infância, a jovem é capaz de tudo para conquistá-lo, até mesmo pedir a ajuda de Wes, seu vizinho irritante e supercharmoso. 

No livro, quem nos conta essa história apaixonante e cheia de reviravoltas é Liz. Agora, chegou a hora dos fãs conhecerem a cena mais emocionante de Melhor do que nos filmes pelo ponto de vista do Wes. 

Era a noite mais esperada do ensino médio, mas Wesley Bennett não poderia estar mais desanimado — afinal, Elizabeth Buxbaum não era seu par para o baile de formatura. E, para piorar a situação, o acompanhante de Liz era Michael Young, o garoto por quem ela era apaixonada desde pequena.

Parecia que Wes e Liz estavam determinados a ignorar a presença um do outro, mas, para ele, era impossível desviar o olhar da garota naquele lindo vestido branco. Só que Liz estava se divertindo com Michael ao som de Taylor Swift, e talvez fosse tarde demais para Wes tomar uma iniciativa.

Divertido e apaixonante como um filme de comédia romântica dos anos 2000, Lynn Painter mostra que o “felizes para sempre” pode ser bem melhor do que o baile de formatura. Um verdadeiro presente para os fãs, Melhor do que o baile está disponível gratuitamente, apenas em e-book, nas lojas on-line

testeSorteio Instagram – Livros jovens [Encerrado]

O lançamento de “Um traço até você” está chegando. Que tal levar para casa um livro jovem incrível?  

Serão 3 vencedores que poderão escolher 1 livro da seleção.

Para participar, é só preencher o formulário abaixo!

ATENÇÃO:

– Caso a mesma pessoa se inscreva mais de uma vez no sorteio da mesma rede ela será desclassificada.

– Você pode se inscrever no sorteio do Facebook e Twitter também, é só seguir as regras.

–  Ao terminar de preencher o formulário aparece a mensagem “Seu formulário foi enviado com sucesso”. Espere a página carregar até o final para confirmar a inscrição.

– Se você já ganhou um sorteio da Intrínseca nos últimos 7 dias no Instagram, você não poderá participar deste sorteio.

– O resultado será anunciado no dia 01 de agosto, terça-feira, em nosso perfil no Instagram. Boa sorte!

testeSorteio Facebook – Livros jovens [Encerrado]

O lançamento de “Um traço até você” está chegando. Que tal levar para casa um livro jovem incrível?  

Serão 3 vencedores que poderão escolher 1 livro da seleção.

Para participar, é só preencher o formulário abaixo!

ATENÇÃO:

– Caso a mesma pessoa se inscreva mais de uma vez no sorteio da mesma rede ela será desclassificada.

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– Se você já ganhou um sorteio nos últimos 7 dias no Facebook, você não poderá participar deste sorteio.

– O resultado será anunciado no dia 01 de agosto,  terça-feira, em nosso perfil no Facebook. Boa sorte!

testeSorteio Twitter – Livros jovens [Encerrado]

O lançamento de “Um traço até você” está chegando. Que tal levar para casa um livro jovem incrível?  

Serão 3 vencedores que poderão escolher 1 livro da seleção.

Para participar do sorteio você precisa seguir o nosso perfil (@intrinseca), retweetar o post do sorteio PUBLICAMENTE no seu Twitter e preencher o formulário abaixo!

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– Caso a mesma pessoa se inscreva mais de uma vez no sorteio da mesma rede ela será desclassificada.

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testeFenômeno de vendas nos Estados Unidos, Outlive revela as melhores estratégias da atualidade para viver mais e melhor

Um dos maiores especialistas mundiais em longevidade compartilha soluções práticas para melhorar a saúde e prolongar a vida com qualidade.

É possível viver mais e melhor? Como e por que morremos? De que modo podemos retardar ou até mesmo prevenir as principais doenças crônicas fatais, como as cardiovasculares, o câncer, o Alzheimer e a diabetes tipo 2? Em Outlive: a arte e a ciência de viver mais e melhor, Peter Attia, um dos nomes mais importantes da medicina dos Estados Unidos, responde a essas e muitas outras questões, revelando tudo o que descobriu após anos de estudos dedicados à ciência por trás da longevidade. 

Antes dos 40 anos, Attia, além de cirurgião, já era um maratonista aquático de alto nível, capaz de fazer longas travessias marítimas. Apesar da vida saudável, de repente descobriu que tinha uma doença cardiovascular, para a qual estava absolutamente despreparado. Quando enfim se deu conta do risco que corria, passou a se dedicar ao estudo da longevidade, isto é, da arte de viver mais e melhor. 

Através de sua jornada pessoal, Attia repensou a abordagem da medicina com a qual ele e tantos outros colegas e pacientes estavam acostumados. Para ele, a medicina moderna não sabe quando nem como tratar as doenças crônicas do envelhecimento que provavelmente serão a causa da morte da maioria das pessoas. Em consequência disso, alertas importantes são ignorados e oportunidades de intervir em momentos em que ainda existe a possibilidade de combater doenças, melhorar a saúde e potencialmente aumentar a expectativa de vida são perdidas. Attia acredita que é preciso substituir esse modelo ultrapassado por uma estratégia personalizada e proativa, na qual as medidas são tomadas aqui e agora, bem antes dos primeiros sintomas. 

Sua abordagem objetiva  e científica lança um novo olhar sobre a longevidade e mostra que existe a possibilidade real de aumentar a expectativa de vida, permitindo que qualquer pessoa, independentemente da idade, possa viver como se fosse vinte anos mais novo. Seu objetivo não é ditar regras nem apontar falhas, mas ajudar pessoas a transformar seu modo de pensar a saúde em longo prazo e, assim, criar o melhor plano individualizado possível para prolongar a vida com qualidade. Outlive: a arte e a ciência de viver mais e melhor, que se tornou um best-seller instantâneo do New York Times, chega às livrarias em 22 de setembro e já está disponível na pré-venda.

testeO livro perfeito para quem gosta de livros chega ao Brasil em agosto

Quando precisa descobrir se está feliz em algum lugar, Yeongju pensa nessas três perguntas: Eu me sinto bem nesse espaço? Eu consigo ser eu mesma e me amar como eu sou nesse lugar? Eu me sinto valorizada aqui? Para Yeongju, aquela livraria preenchia todos os requisitos.

Yeongju vive o que muitos consideram uma vida perfeita: uma boa faculdade, um emprego estável e um marido gentil. Mas sua vida se tornou uma sucessão de frustrações e, assim como muitas mulheres, ela está cansada de viver dessa maneira. Querendo trazer uma mudança significativa para a própria vida, ela decide deixar tudo para trás e realizar um antigo sonho: abrir uma livraria. 

Yeongju é leitora como nós e encontra conforto nos livros, então, abrir uma livraria parece ser a solução ideal para os seus problemas. Mas começar um negócio nunca é fácil, e ela precisa aprender que ser uma amante dos livros não é o suficiente para tornar o seu sonho realidade. Conforme vai aprendendo como administrar uma livraria, Yeongju também descobre mais sobre si mesma e quem ela quer ser. Cercada por livros, ela encontra um novo significado para a vida à medida que a Livraria Hyunam-dong se transforma em um espaço convidativo para que almas feridas descansem, se curem e descubram o que realmente importa. E quando os clientes começam a se sentir confortáveis para compartilhar suas histórias, experiências, esperanças e emoções naquele espaço, Yeongju finalmente sente que encontrou o seu lugar. 

Bem-vindos à Livraria Hyunam-dong inaugura um novo gênero na Intrínseca: a ficção de cura. A sílaba “hyu” (휴) vem do hanja 休, que significa “descanso”, algo que Yeongju, nossa protagonista, deseja muito. Repleto de diálogos sinceros e profundos, Bem-vindos à Livraria Hyunam-dong é uma história emocionante sobre os momentos decisivos da nossa vida e como os livros são capazes de curar feridas e mudar as pessoas.

Essa história incrível chega às livrarias em 28 de agosto e já está em pré-venda nas lojas on-line.

testeUma reflexão original sobre o futuro do Supremo Tribunal Federal

O Supremo Tribunal Federal (STF) hoje ocupa uma posição de centralidade na vida do país que sequer poderia ser imaginada há um par de décadas. Cada vez mais poderoso, o STF se tornou um dos principais atores das crises políticas dos últimos tempos, e seus juízes passaram ao papel de protagonistas. 

Com anos de estudos e análises, o pesquisador e professor de direito constitucional Diego Werneck Arguelhes se debruçou sobre a estrutura e a história do Supremo para esclarecer quais os limites, os deveres e as possibilidades da corte e de seus ministros. Quem são as pessoas escolhidas para exercer esse poder e como chegaram lá? Qual o papel da política na escolha dos ministros do tribunal, e como a política influencia as decisões que tomam uma vez no cargo? Como são escolhidos os casos para julgamento? Por que alguns temas são julgados agora enquanto outros levam anos? É normal ou legítimo que ministros opinem publicamente sobre temas da conjuntura política? Quais os limites desse poder e como lidar com os eventuais erros da instituição?

O Supremo: Entre o Direito e a política esclarece essas questões, pensando o STF como um tribunal que precisa resolver divergências na interpretação e na aplicação das leis e da Constituição — incluindo temas morais e políticos. Com uma linguagem direta, Diego Werneck Arguelhes reflete sobre as controvérsias da corte e aponta caminhos para uma convivência equilibrada entre a política e o Direito. 

Pesquisador e professor de direito constitucional, Diego Werneck Arguelhes explica a importância do Supremo Tribunal Federal para a democracia e aponta dilemas e contradições do tribunal e de seus ministros. O Supremo: Entre o Direito e a política já está em pré-venda e chega às livrarias em 17 de agosto.

testeEscritora negra com muito orgulho, prazer!

Quando comecei a publicar meus contos, lá em 2017, não imaginava que um dia estaria aqui, lançando meu primeiro romance por uma grande editora. Escrevo histórias com protagonistas negras que gostam de garotas, assim como eu, e não costumava ver muito esse tipo de narrativa por aí. “Quem leria o que escrevi?”, era o que me perguntava a cada história finalizada. Mas agora consigo enxergar que o que escrevo não fala só sobre mim. Sou uma mulher negra, com vivências particulares, mas bem no fundinho de cada história há algo que só existe porque outras vieram antes de mim.

Gosto de pensar que, com o que escrevo, consigo honrar não somente a minha ancestralidade — minha avó, minha mãe, minhas tias e quem veio antes delas —, mas também construir algo compartilhado, uma sensação de pertencimento e de comunidade. Como se, de alguma forma, minhas histórias também falassem sobre todas as mulheres negras.

Um traço até você, meu romance de estreia publicado pela Intrínseca, acompanha a história da Lina e seu sonho de ser ilustradora. O caminho dela cruza com o da Elza, uma garota linda e inspiradora, motivada pelo desejo de contar o mundo através da arte das palavras. Mesmo que a premissa não tenha surgido de primeira, acabei construindo uma história sobre mulheres negras e seus sonhos, suas resistências, seus desejos mais profundos e, ao mesmo tempo… escancarados. E não é que tudo isso dialoga um pouquinho com a minha vida também?

Além disso, fala sobre minha tia que é professora e lançou (e lança) seus livros infantis; sobre minha avó, que trabalhou como faxineira e amava ler. Antes de partir, ela escreveu um livro contando suas memórias; sobre minha tia, professora universitária, que adora seriados americanos de ficção científica e repassava os enredos para mim; sobre minha mãe que, também professora, criava histórias com tramas incríveis para me ninar — nunca vou me esquecer de uma em específico, a das bruxas que roubaram a água da piscina da casa de um menininho. Sem falar nas tardes de domingo no sofá da minha avó, com muitas risadas, fofocas e memórias. Contar histórias sempre esteve no sangue da nossa família, mesmo que nem sempre fossem escritas. 

Um traço até você é uma obra de ficção, mas seria injusto da minha parte dizer que tudo é fruto apenas do meu trabalho. O que escrevi, sim, é meu. Tudo ali veio de mim. Mas quem eu me tornei, e quem eu me torno quando consigo contar uma história, vem da minha família, daquelas mulheres que existiram antes de nós. Ainda que não consiga ir muito longe nas raízes da nossa árvore genealógica, quero acreditar que há algo nessa jornada familiar que vem de antes, muito antes. Certas frases que só a gente conhece, o jeito de preparar alguns chás, o tempero tão familiar…

Acho que isso é o que me faz ter mais orgulho de escrever protagonistas negras. Mesmo que a sociedade por vezes ainda insista em repelir um livro com duas garotas negras na capa, mesmo que algumas pessoas considerem as histórias de amor entre mulheres negras desinteressantes, mesmo que a jornada de autodescoberta dessas mulheres e garotas seja negligenciada, não consigo me ver contando outro tipo de história.

E você pode estar pensando: “Não é muita ambição tentar contar todas as histórias?” E eu respondo: não estou contando todas as histórias. Seria audacioso demais afirmar que estou abarcando a história de todas as mulheres negras. Somos muitas, e nos restringir ao que eu posso fazer não tem sentido. O que quero dizer é que, sendo uma escritora negra, carrego um histórico, algo que me precede. Além disso, as histórias que escrevi me ajudaram na minha própria trajetória.

Quando comecei a publicar meus textos, eu não sabia, mas existia ali uma vontade de contar para o mundo alguns dos meus sentimentos mais íntimos. “Entre estantes” foi meu primeiro conto publicado, e, antes de Um traço até você, minha história mais famosa. O que as pessoas não sabiam é que ao colocá-la no mundo, eu também estava contando que sou uma mulher negra que gosta de garotas. O drama da protagonista também era um pouquinho meu.

E você vai dizer: “Mas não é comum escritores colocarem um pouco da vida deles nas histórias?” E eu vou responder: sim, é. Não fujo disso! Só que quando recebo mensagens de leitores dizendo que minhas histórias os ajudaram, que essas pessoas nunca se viram representadas, e que o que eu escrevi contribuiu para uma jornada de autodescoberta, também devo ser sincera e contar que o mesmo aconteceu comigo. Com Um traço até você, vou além e digo que contar sobre os medos, inseguranças e sonhos da Lina — que são só dela e, de certa forma, estão muito longe de mim — me ajudou em vários aspectos da minha vida.

O que gostaria de dizer é que mesmo que cada uma das minhas histórias tenha uma nova protagonista, um novo nome, um novo amor e um novo sonho, eu não quero esconder que escrever sobre garotas negras é um desafio, e também uma responsabilidade. Elas são importantes, não só para mim e por tudo o que já falei, mas também porque sei que, ao contar suas histórias, posso estar falando sobre várias outras garotas negras por aí, com desejos, sonhos, medos e muita vontade de ser feliz. E desconfio que toda escritora negra se sente exatamente assim.

Termino este texto agradecendo, em primeiro lugar, às minhas protagonistas, Lina, Elza e a todas as outras, vocês têm um lugarzinho dentro de mim muito especial e que ninguém nunca vai entender. E, em segundo lugar, ao que elas representam. Às mulheres negras que estão perto de mim, às que estão longe (em minha linhagem e de outras), às escritoras negras que pavimentaram e continuam pavimentando o caminho para que eu chegasse aqui, muitas delas esquecidas e que mereciam reconhecimento. A todas as mulheres negras que têm sonhos.

Espero que com Um traço até você eu honre nossos passos e o legado de muitas!