A pesquisa

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Para resgatar a epopeia da família Guinle — aproximadamente 170 anos, cinco gerações e dezenas de personagens — foi necessária a utilização de uma vasta bibliografia; pesquisar arquivos e bibliotecas na França, Estados Unidos, Uruguai e Brasil; entrevistar algumas centenas de pessoas no Rio de Janeiro, Santos, Porto Alegre, Bagé, São Paulo, Petrópolis e Los Angeles. Todo esse trabalho consumiu aproximadamente cinco anos.

O ponto de partida foi o livro sobre a vida de Guilherme Guinle. Apesar de ser uma biografia autorizada, ela apontava vários caminhos. Assim, ficou mais fácil mapear seus seis irmãos — Eduardo, Carlos, Arnaldo, Octavio, Celina e Heloisa. Eles seriam investigados através da imprensa e de entrevistas. Como os rapazes da família foram muito empreendedores, a pesquisa foi se desdobrando nas mais diversas áreas: futebol, automobilismo, construção de estradas, turismo, hotelaria, música popular e erudita, teatro e relações com o poder desde a República Velha até a Ditadura Militar.

O mais difícil foi entender a trajetória de Jean Arnauld, o primeiro Guinle no Brasil. Entre 1830 e 1850, milhares de franceses emigraram.  Nessa época, o Uruguai era um destino muito popular entre os que saíram da França. Só que Jean Arnauld chegou no momento mais agudo de um conflito, a Grande Guerra. Ele e a esposa acabaram se mudando para Porto Alegre e, em 1846, nascia Eduardo Palassim Guinle. A decisão foi perfeita, pois os demais Guinle que ficaram na cidade foram tragados pelos acontecimentos.

Outro desafio da pesquisa foi entender como Eduardo P. Guinle e o sócio Cândido Gaffrée conseguiram alongar a concessão do porto de Santos, um negócio bilionário, de 38 para 92 anos.

Como em qualquer outra família, quase ninguém sabe nada sobre seus avôs e bisavôs. Não foi diferente com os Guinle. Logo, as entrevistas com os herdeiros de Eduardo, Carlos, Octávio e Celina (Guilherme, Arnaldo e Heloisa não tiveram filhos) só poderiam ser realizadas após uma pré-pesquisa. Mas no caso dessa família havia outro complicador. Mesmo conhecendo pouco sobre seus ancestrais, quase todos olham para o passado de forma mítica.

Apesar de ser uma biografia não autorizada, fui muito bem recebido por todos os Guinle que procurei. A maioria desconhece o passado do clã, mas quase todos tinham a mesma convicção: já era hora de alguém escrever a história deles.

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