O menino e o mar

Luiz Fernando Vianna escreve sobre a relação entre o filho autista e o mar

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Calhou de o lançamento, no Rio de Janeiro, de Meu menino vadio – Histórias de um garoto autista e seu pai estranho cair em 2 de fevereiro, dia de Iemanjá, a rainha do mar. Feliz coincidência.

Como explico no livro, o mar sempre foi o lugar favorito de Henrique. Acho que nunca teve medo. Criança, já enfrentava as ondas, pulava, mergulhava. E tomava caixotes. Eu tomava junto.

Hoje, com 16 anos, tem força física suficiente para não se deixar derrubar. Mas ainda é conduzido pelas correntezas. Eu nem finco barraca e cadeira na praia. Mochila nas costas, vou andando para o lado que a correnteza o leva. E ele me observa de vez em quando, para se certificar de que alguém está cuidando dele.

A primeira casa em que Henrique viveu era bem perto do mar, no bairro do Leme, no Rio de Janeiro. Essa paixão, portanto, vem desde o berço. Hoje, mora distante. Quando eu digo “vamos à praia”, é difícil ele não se animar. No carro, vai repetindo “má” – ou seja, “mar”, em sua prosódia de autista não verbal.

Eu me pergunto, com frequência, se meu filho gosta da vida que leva – se ele pode, ainda que apenas em algumas ocasiões, ser considerado alguém feliz. Quando o vejo no mar, sinto que pode.

O evento de lançamento de Meu menino vadio será na Livraria Travessa Ipanema (Rua Visconde de Pirajá, 572), a partir das 19h, no Rio de Janeiro.

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