
A trajetória de Adriano de Souza, contada em Como se tornar um campeão, começou numa favela do Guarujá, longe da praia. A mudança, no entanto, se iniciou cedo, quando ele teve acesso a uma prancha de surfe pela primeira vez e percebeu que seu futuro estaria para sempre ligado às ondas. Adriano pôs na cabeça — não como uma cisma infantil, e sim com a determinação de empregar todos os esforços possíveis — que um dia seria campeão mundial e inventou o próprio caminho. Foi descobrindo, desde os oito anos, que para alcançar seu objetivo precisaria unir obstinação, disciplina, paixão, foco, humildade e ousadia. Juntou todas essas qualidades e mais algumas.

Na infância, ele acumulou vitórias em torneios amadores disputados no Brasil. Aos catorze anos, ganhou seu primeiro prêmio significativo ao vencer uma etapa do Circuito Brasileiro Profissional, no Rio. A ideia era ganhar experiência competindo com adultos mais experientes. O espírito competitivo, uma de suas marcas registradas, porém, fez com que saísse da praia com o título de campeão, uma moto novinha e 4 mil reais em dinheiro — algo equivalente a 12 mil reais em valores atuais, corrigidos pelo IGP-M. A vitória lhe deu a certeza de que poderia ser um surfista bem-sucedido e lhe permitiu dar a entrada numa casa fora da favela para os pais.
Adriano ganhou fama quando venceu, aos dezesseis anos, o mundial júnior na Austrália. Dois anos depois, conquistou uma vaga na elite. Uma década mais tarde realizou o sonho de sua vida.
Como se tornar um campeão não é um livro só para surfistas ou aficionados do esporte. A improvável vida de Adriano demonstra que é possível agarrar uma oportunidade — no caso dele, uma prancha de surfe — e reinventar o destino. Como ele diz: “A luta pode ser difícil, mas vencer é possível.”