Mulheres atraídas pela morte

Histórias que provam: o suspense é feminino

4 minutos

4 minutos

Por Vanessa Corrêa*

Rosamund Pike e Ben Affleck em cena de Garota exemplar

O que você seria capaz de fazer para morar em uma casa perfeita?

Jane estava disposta a fazer uma série de mudanças na vida para se tornar a moradora da casa de número 1 da Folgate Street, em Londres. Ela abriu mão de ter animais de estimação, de deixar a louça do jantar na pia para ser lavada no dia seguinte ou de espalhar suas coisas pela casa. Aceitou se submeter a testes psicológicos e ter seus hábitos e sua saúde monitorados. Confiou em um sofisticado sistema de tecnologia capaz de sugerir o melhor momento para acordar ou a melhor seleção musical para ouvir.

Para Jane, todas as regras valiam a pena, pois em troca lhe foi concedido o privilégio de viver em um lugar considerado um ícone da arquitetura moderna, a tradução máxima do conceito de minimalismo. Ela só não conseguiu ignorar a misteriosa morte da inquilina que ocupou o endereço antes dela.

Desaparecimentos e assassinatos estão no centro da trama da maioria dos best-sellers de suspense, mas é o papel de destaque dado às mulheres na história que mais aproxima Quem era ela, de JP Delaney, de alguns dos sucessos mais recentes do gênero no Brasil. Assim como Rachel, a protagonista de A garota no trem, de Paula Hawkins, Jane decide investigar por conta própria a morte de outra mulher. Ambas têm em comum também o fato de estarem passando por momentos difíceis em suas vidas: enquanto Rachel luta para superar o fim de um relacionamento amoroso e o alcoolismo, Jane se esforça para seguir em frente após dar à luz um bebê morto.

Emily Blunt em A Garota no Trem

O clima intenso de suspense e a sensação de que ninguém é quem parece ser também levaram leitores a comparar o livro de JP Delaney com o best-seller de Gillian Flynn, Garota exemplar. Emma, que divide com Jane o posto de protagonista de Quem era ela, tem muito em comum com Amy, a antiheroína de Flynn. Ambas são capazes de usar a beleza para conseguir o que querem e se envolvem em relacionamentos marcados pela obsessão.

Com personagens femininos tão complexos, era de se esperar que Quem era ela tivesse sido escrito por uma mulher, como é o caso de Garota exemplar e A garota no trem. Mas, na verdade, a história surgiu da imaginação do autor britânico Tony Strong, que em entrevista ao jornal The New York Times declarou se sentir “realmente agradecido” que muitos leitores — incluindo esta jornalista — acreditaram, pelo modo como a história foi escrita pela perspectiva de duas mulheres, que se tratava da obra de uma autora.

Tramas cheias de reviravoltas com personagens que fazem o leitor desconfiar de suas intenções a cada momento são ideais para serem levadas às telas de cinema. Dirigido por David Fincher, Garota Exemplar arrecadou quase US$ 370 milhões e rendeu à protagonista Rosamund Pike uma indicação ao Oscar de melhor atriz em 2015. A Garota No Trem, que foi dirigido por Tate Taylor e estrelado por Emily Blunt, não recebeu os mesmos elogios da crítica cinematográfica, mas também teve bom desempenho nas bilheterias.

Os direitos de Quem era ela foram comprados pelo estúdio Universal e o filme baseado no thriller de JP Delaney deve ser dirigido por Ron Howard, conhecido por sucessos como Uma Mente Brilhante e O Código Da Vinci. Ainda não se sabe o elenco, mas uma coisa é certa: os ambientes minimalistas da casa número 1 da Folgate Street terão tanto destaque quanto os personagens da história.

 

Vanessa Corrêa é jornalista, já trabalhou na Folha de S.Paulo e no portal UOL e é apaixonada por livros, cinema e fotografia.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

LEIA TAMBÉM

Leia mais Notícias

A jornada repleta de desafios e aventuras de Sophie, uma menina órfã encontrada num naufrágio ainda bebê e que busca pelo paradeiro de sua mãe
De Pripyat e o desastre de Chernobyl, na Ucrânia, a Fordlândia, no Brasil: você precisa conhecer essas cidades-fantasmas
No segundo volume da duologia “Jogos perversos”, Genevieve Grimm precisa fazer alianças perigosas para enfrentar um jogo mortal
Riley Sager está de volta com “Desconhecido”, um thriller macabro repleto de mistérios e reviravoltas