Lionel Shriver apresenta “Grande irmão” aos brasileiros

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Por Lionel Shriver

Sempre penso nos brasileiros como um povo esbelto e sensual, por isso, fiquei surpresa ao saber que a obesidade é uma preocupação crescente no Brasil. A gordura parece ser o preço da prosperidade. O estranho é que, tal como acontece nos Estados Unidos, o excesso de peso entre vocês é, cada vez mais, um problema dos pobres. E isso não faz sentido, faz? Não são os ricos que podem bancar a despesa de comer mais? Minha teoria é que, muitas vezes, comer em demasia é um sinal de deficiências em outras áreas da vida — um sentimento maior de insatisfação, que pilhas de batata frita não têm como remediar.

Grande irmão é um livro sobre comida, sobre gordura — questões sociais que são também profundamente íntimas: como nos sentimos quando nos olhamos no espelho, ou quando vemos uma fotografia nossa. O juízo que fazemos sobre as pessoas, dependendo do quanto elas pesam. O romance pergunta: santo Deus, por que comer ficou tão complicado?

Passei a ter um carinho especial pelos leitores brasileiros desde que estive na FLIP, em Paraty (a melhor festa literária de que já participei, com toda franqueza), e descobri toda uma base da fãs da qual eu não tinha conhecimento. Fiquei sem jeito com a grande generosidade de todos. Eu sempre me impressiono com os leitores estrangeiros, que se dispõem alegremente a dar um salto da imaginação para um romance que se passa em outro lugar. Portanto, em Grande irmão, sejam bem-vindos ao Iowa, o “celeiro” do centro-oeste americano, a pátria da glucose de milho, com seu notório alto teor de frutose. Mas não recomendo a leitura desse livro, em particular, acompanhada de um cremoso brownie. De preferência, deve-se ter à mão um desolador potinho de queijo cottage de baixa caloria e uma bolacha de arroz.

Tradução de Vera Ribeiro

 

Respostas de 8

  1. Shriver é DIVA. Sempre antenada, é mestre em nos “cutucar” com assuntos pertinentes que nos fazem refletir. Ansiosa para ler esse livro! 🙂

  2. Ariane Pereira disse:

    Adoro a escritora e já estou lendo o quarto livro dela em um período de 1 ano. Grande irmão com certeza será devorado proximamente com alegria!

  3. Eu amo os livros da Shriver, tenho todos (inclusive “Grande irmão”) e me surpreende a objetividade da autora acompanhada de uma ironia perversa e, por incrível que pareça, perfeitamente verossímil, que cada uma das suas obras trás.

  4. Marco Severo disse:

    Lionel é dessas grandes autoras que a Intrínseca conseguiu trazer para o leitor brasileiro (juntamente com, dentre outros, Jennifer Egan). Ela, seguramente, é uma escritora que orgulha o catálogo de uma editora, e que faz de nós, leitores, pessoas melhores, ao nos trazer não apenas uma grande obra, que nos mantêm presos à leitura, mas livros que nos fazem refletir, repensar, sermos pessoas melhores.

  5. Mas é muito diva! Sou louca pela escrita dessa autora *.*

  6. Quando esse livro será lançado aqui no Brasil?

  7. Sim, Jonas!
    O livro pode ser encontrado nas principais livrarias. Abs!

  8. Por gentileza, há alguma chance de traduzir o “A Nova República” para o Brasil? Grato pela atenção.

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