INCOMUM SEMELHANÇA

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“Sei que não sou um garoto de dez anos comum. Quer dizer, é claro que faço coisas comuns. Tomo sorvete. Ando de bicicleta. Jogo bola. Essas coisas me fazem ser comum. Por dentro. Mas sei que as crianças comuns não fazem outras crianças comuns saírem correndo e gritando do parquinho” – apresenta-se August Pullman.

“Você nunca conheceu alguém como eu. A menos, é claro, que conheça alguém que tenha sobrevivido a uma tentativa de afogamento pela própria mãe e que agora more com o pai alcoólatra” – define-se Sarah Nelson.

Não são poucas as semelhanças entre Extraordinário, obra premiada de R. J. Palacio, e Claros sinais de loucura, romance de estreia de Karen Harrington no Brasil. O primeiro conta a história de August Pullman, um menino que nasceu com uma severa deformidade facial e está prestes a frequentar a escola pela primeira vez. Ele tem a difícil missão de convencer os colegas de que, apesar da aparência incomum, é igual a todos os outros. Claros sinais de loucura narra um verão inesquecível na vida de Sarah Nelson, uma menina adorável que vive com o pai ausente e alcoólatra, está apreensiva quanto à árvore genealógica que fará na escola, aguarda ansiosamente pelo primeiro beijo e teme ter herdado a loucura da mãe.

Além da temática igualmente tocante, Auggie e Sarah têm idades bem próximas – ele tem 10 anos, e ela, quase 12 – e compartilham o sentimento de não pertencimento, a história de vida incomum e o receio de serem julgados e vistos pelos outros como diferentes. Curiosamente ambos lidam com seus problemas de forma leve, positiva e até bem-humorada, além de apresentarem certa maturidade levando-se em consideração seus poucos anos de vida.

Também surpreendente e inspirador, A culpa é das estrelas, o best-seller de John Green, é outro exemplo de livro que traz como protagonistas jovens dignos de admiração. Como não amar o casal Hazel e Gus, ambos vítimas de câncer, e não se entusiasmar com a forma excêntrica com que encaram a realidade e ironizam a doença? Lição de vida para leitores de todas as idades, as três obras narram a árdua tarefa de lidar com problemas difíceis tão cedo, tanto na infância como na adolescência.

Respostas de 3

  1. O único livro desses três que li até agora foi “A Culpa é das Estrelas” e devo concordar totalmente com o seu comentário. É de inspirar qualquer um a forma como eles lidam com a doença. E depois do comentário também sobre os outros dois livros os fizeram entrar pra minha lista de desejo.

  2. Achei ser a única que tivesse percebido a semelhança entre os três. Amo Auggie! Adquiri um carinho muito grande por ele e me identifiquei com Sarah em alguns aspectos. Achei A culpa é das estrelas meio comum, apesar da doença dos dois. Um história de amor, apenas. Mas que sim, juntando a infância problemática, tem sim muita semelhança.

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