Novas histórias, velhos hábitos

Surpreendente! foi lançado há apenas dois meses. Está fresquinho, cheirando a tinta.

3 minutos

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Rainbow - MorgueFile
(via MorgueFile)

Surpreendente! foi lançado há apenas dois meses. Está fresquinho, cheirando a tinta. O pessoal está começando a conhecer o universo de Pedro, Cristal, Fit e Mayla. Tenho lido as primeiras resenhas, recebido mensagens e ouvido leitores nos lançamentos. A recepção entusiasmada me traz a sensação de dever literário cumprido (calma, escrever não é um dever; é força de expressão). Sei que muitas pessoas ainda terão oportunidade de mergulhar na história e que o caminho do livro está só no início. Sua estrada, assim como a dos personagens, será longa e cheia de aventuras.

Abri a coluna contando isso porque esta semana comecei a escrever meu novo romance. Fiz algumas postagens e acabei recebendo inúmeros “Mas já?”, “Como assim? Acabou de sair o último!”, “Haja inspiração!” etc. Teoricamente, tais reações fazem algum sentido. Mas lembro que iniciei o último livro em julho do ano passado. Foram cinco meses até a versão zero. Depois, mais três de reescrita, até a versão entregue à editora. Em seguida, quatro de trocas com os editores, para, enfim, chegarmos ao livro que foi parar nas lojas. O processo terminou em junho, há exatos cinco meses. Cinco meses sem escrever nem uma linha sequer.

Durante a escrita de Surpreendente!, outra história começou a me atormentar. Em geral, deixo a ideia flutuar. Se ela não afunda, merece atenção. E ela continuou ali, rondando e pedindo que não fosse esquecida — de tal forma que passei a gravar ideias secundárias, tendo o celular como aliado. Num programinha bem básico de gravador ficaram dezenas de comentários sem sequência ou estruturação. Até que, dia desses, comecei a organizá-los, dando início ao que será o próximo livro.

Nesse intervalo de cinco meses, os bons e velhos hábitos: assistir a filmes, escutar músicas, ler muito. É sempre útil recorrer a instrumentos da Santíssima Trindade para reorganizar as ideias (e me salvar como espécie, claro). Cada novo trabalho é uma jornada. Levanto a cabeça, olho adiante — até onde a vista alcança — e tento ver além do arco-íris. Quanto tempo até lá? Quem dirá quantos obstáculos e encruzilhadas pelo caminho? Os passos serão cambaleantes em alguns momentos, mas no peito vai a certeza da felicidade por conceber (ou ser apresentado a) personagens, situações, momentos, revelações e lições.

Meus livros não são sobre minha vida. Minha vida, sim, é que é toda feita por meus livros. É hora, então, de recomeçar o ciclo. Que eu aprenda um bocado e saia melhor do que entrei, exatamente como foi com Surpreendente! e com tantas histórias que vieram antes!

Respostas de 6

  1. Rosana Baiochi disse:

    Boa viagem, Maurício. Que você traga mais uma de suas histórias de encher os olhos.

  2. Natália Koetz disse:

    Escrever um livro deve ser a coisa mais dificil do mundo. Fico aqui imaginando como devw funcionar a cabeca de um ser para começar uma hiatoria e depois contar cada pedacinho pra emocionar os leitores. Amo seus livros e cada vez que venho aqui fico mais xonada. ?

  3. Oba! Livro novo. Ansiosa a partir de já.

  4. Luana Garcia disse:

    Se um livro demora tanto para ficar pronto assim, não vou aguentar esperar até o próximo. Correeeeeee Mauricio, por favor. hsushaushaush

  5. Fernanda Cantareira disse:

    Sou aspirante a escritora e gosto de vir aqui saber o que os autores pensam das coisas. Me inspiro muito porque acho que aprendo com quem já escreveu coisas bonitas e já foi publicado. O estilo da coluna do gomyde é inspirador porque ele sempre fala sobre as motivações no que ele escreve. Meu sonho é ser da intrínseca e um dia quem sabe…

  6. Neiva Meriele disse:

    Eu fico aqui de longe, aprendendo com o mestre. Parabéns, Maurício! Sou sua fã.

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