Por Rosana Caiado *
Quarta-feira, fim de tarde. O editorial, silencioso. Eu, recém-contratada, no Facebook. Se, no meio do expediente, por acaso você vir um editor enfiado numa rede social, talvez não pareça, mas ele deve estar trabalhando. E naquele dia a minha timeline foi tomada por um cara chamado Rafael Mantesso e por um cão chamado Jimmy.
Vários amigos tinham compartilhado a mesma foto: Jimmy ao microfone. Não só essa: Jimmy encenando A dama e o vagabundo, Jimmy sobrevoando a cidade como Superman, Jimmy, Jimmy, Jimmy – o bull terrier branco de orelhas avermelhadas que um dia estaria na parede da minha casa. Mas naquela época eu ainda não sabia disso.
Numa busca rápida, descobri dezenas de matérias — a maioria gringa: o ator Ashton Kutcher tinha curtido o Instagram do Rafael e, com isso, os holofotes do mundo inteiro se viraram para o trabalho incrível que estava sendo feito ali. Na época ele tinha 12k seguidores.
Mandei um e-mail para a Livia (minha chefe) e, na sequência, um para o Rafael — começava com “Caro Rafael” e terminava com “um abraço”. Alguns dias depois, Livia e eu estávamos no aeroporto rumo a São Paulo, onde encontramos por acaso o Jorge (chefe da minha chefe). Ele tinha acabado de receber uma mensagem que dizia sobre as fotos de um cachorro que estavam bombando na internet. Eu e Livia nos entreolhamos; parecia brincadeira. Falamos para ele que era exatamente com aquele cara que íamos almoçar dali a uma hora.
Nos encontramos em um restaurante japonês — foi a primeira de várias excelentes indicações dadas pelo Rafael (ele também saca de gastronomia e tinha um site bacana chamado Marketing na Cozinha). Em dois minutos de conversa deu para perceber que ele é uma máquina de ideias, explicadas com espontaneidade e expressões que eu nunca tinha ouvido. Lembro de ter perguntado: “Como é que você faz para dormir à noite?”
Rafael já tinha um agente internacional e o livro, que ainda não existia, vendido para fora. Havia outras editoras brasileiras interessadas, mas ele nos garantiu que no Brasil sairia pela Intrínseca. Peguei o avião de volta confiante. No dia seguinte fechamos negócio. Foi lindo.

O mundo rodou e o Rafael ganhou mais de 400k seguidores. Os e-mails começavam com “Ei, Rafael” e terminavam com “beijo”. Emoticons liberados. Aprendi o que significa “rulear” e “meiar”. Até que Rafael pegou um avião e veio conhecer a editora. A edição gringa já estava fechada, e a nossa, começando a ficar de pé.
Os outros livros que me desculpem, mas editar Um cão chamado Jimmy foi, por um bom tempo, a parte mais esperada do meu dia de trabalho. De posse da carta branca que o Rafael nos deu, a gente pegou tesoura, clipes, cola, e ficou olhando para aquelas imagens espalhadas sobre a mesa de reunião, vendo qual combinava com qual ou onde determinada parte do texto encaixaria melhor.
Fizemos as primeiras cinquenta páginas, depois mais trinta, mais vinte, sempre mostrando para o Rafael, que abraçou nossas sugestões e a quem agradeço demais a confiança. Faltando poucas páginas, a gente adiava o trabalho só para não chegar ao fim. Eu poderia estar cortando e colando até hoje, mas aí não teríamos um livro para celebrar agora, um livro que fala de amor e que foi feito assim.
No próximo dia 14 será o lançamento de Um cão chamado Jimmy. Se, em pleno sábado de manhã, você por acaso vir uma editora no aeroporto rumo a São Paulo para ir ao lançamento de um livro, pode até pensar que é trabalho—mas é diversão.
Leia também: Um amor incondicional – entrevista com Rafael Mantesso
*Rosana Caiado é subeditora de livros nacionais na Intrínseca, estava grávida de 4 meses quando mandou o primeiro e-mail para o Rafael e hoje é mãe de um neném maravilhoso conhecido como Fefê. Também tem um gato chamado Taco. E o Taco tem uma gata chamada Zica.


Uma resposta
Adorei a matéria. Amo cachorros não importando a raça, a fera está dentro do homem que o alimenta. Sigo a pag. de vcs no face, adoro todas as dicas. Esta será o presente de Natal de alguns amigos apaixonados por cães e arte. Bjd