O ano em que o futuro pareceu mais distante

Míriam Leitão reflete sobre 2015 e o futuro do país

2 minutos

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O piloto saiu da cabine, foi até a poltrona 20, onde eu estava, e perguntou sobre o futuro do país. Tinha um tom de urgência na voz. Explicou que nunca o futuro parecera tão incerto. Me encontrou conversando com os passageiros em volta, todos muito jovens. Tentava acalmá-los. Andam aflitos, os jovens. Fui bem objetiva com o piloto, porque prefiro quando eles ficam na cabine. Já estava no finger, depois de deixar o avião, quando ele me lançou um apelo:

— O fim do túnel, Míriam. Fale sobre o fim do túnel.

Vivi muitas cenas assim no difícil ano de 2015. Nelas, fiquei feliz por ter escrito o livro História do Futuro. É como se eu estivesse me preparando para esse período, nos quatro anos que levei mergulhada em entrevistas e estudos sobre o patrimônio, as chances e os riscos do Brasil. “O que vai acontecer com o país?”, esta foi a pergunta que mais ouvi. E eu tinha respostas.

historiadofuturo_capaMais do que isso, vi o país piorar dia a dia este ano sabendo que nós temos muitas chances de sair desse atoleiro. Não estamos condenados ao fracasso. O que o mundo pede de um país no século XXI nós temos. O planeta acaba de confirmar em Paris que escolheu caminhar para o futuro do carbono neutro. No livro, em vários capítulos, meus entrevistados mostraram como o Brasil tem tudo o que esse futuro exige. É o país que possui maior potencial de energia renovável por quilômetro quadrado. Isso só para falar de um dos tesouros.

A recuperação parece distante, eu sei. O túnel parece longo demais. Mas o que o livro me deu, e eu gostaria que desse aos leitores, é a calma para voar em zona de turbulência e a esperança de pousar nesse futuro possível. Termino o ano achando que sou devedora do livro que escrevi. O História do Futuro tem me ajudado a vencer um tempo extremo.

link-externoLeia um trecho de História do futuro: O horizonte do Brasil no século XXI

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