O que Extraordinário e Pax têm em comum?

Sheila Louzada escreve sobre as semelhanças desses dois livros inesquecíveis

4 minutos

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Por Sheila Louzada*

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A gente já sabia que ia amar Pax desde que o título surgiu aqui na editora, mas, confesso, eu não esperava que fosse tão bom assim. A história do menino e sua raposa de estimação que se veem separados por uma guerra vai além do conto de amizade e lealdade, permitindo momentos de fofura e leveza mas também levantando vários questionamentos.

A sensação de encantamento com doses de aperto no coração nos lembrou muito um outro queridinho nosso, Extraordinário. (Se você ainda não leu, sério, vai logo providenciar o seu.) Auggie Pullman, o menino com grave deformidade facial que vai frequentar a escola pela primeira vez, tem muitas coisas em comum com Peter, o menino que sai em busca de sua raposa (o Pax) em uma jornada de quase quinhentos quilômetros.

Embora, ao contrário de Pax, Extraordinário tenha recortes temporal e espacial bem definidos, ambos são histórias universais, que mostram crianças diante de grandes desafios. Vou aproveitar a temática e comparar os dois no melhor estilo Charlotte (um conto fofíssimo de Auggie & eu): com uns diagramas de Venn.

DiagramasPaxExtraordinario

Segundo Charlotte, diagramas de Venn “são muito úteis para explicar muitas coisas”.

Em Pax, Peter é obrigado a devolver sua raposa de estimação à natureza quando o pai vai lutar na guerra e o deixa na casa do avô. Mas, chegando lá, ele repensa o que fez e decide voltar em busca do amigo, custe o que custar. O livro alterna as perspectivas dos dois. Nos capítulos do Pax, ele se vê na natureza pela primeira vez e começa a descobrir coisas fantásticas. Eu posso correr! Eu posso nadar! Caramba, existem outras raposas no mundo! Nos capítulos do Peter, às vezes dava vontade de virar para ele e falar: Você e o Auggie deviam ser amigos! Trocar experiências, jogar videogame… E o Auggie ia adorar mais um amigo, porque o Auggie é muito simpático e aberto a novas amizades.

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Reparem que Peter e Pax também têm muito em comum, não é à toa que eles se dão bem!

É interessante notar as diferenças entre os desafios que os dois personagens enfrentam: enquanto Auggie sofre com algo totalmente externo — a questão da aparência —, Peter lida com um pequeno vulcão que está dentro de si mesmo, uma luta que só ele sabe que está acontecendo.

É claro, o problema do Auggie envolve questões mais graves, já que ele passou por diversas cirurgias e ainda sofre com algumas limitações motoras, mas, deixando de lado por ora a questão da proporção, os “obstáculos externos” proporcionam a vantagem e a desvantagem da percepção imediata. Logo que o vê, a pessoa é levada a uma reação, seja de empatia ou repulsa (é raro ser indiferente). Ela entende que tem alguma coisa acontecendo ali. Auggie sabe que em todo ambiente novo ele vai se deparar com olhares de surpresa, desconforto ou piedade; em boa parte do tempo, ele vai ser tratado de forma diferente, e não há como evitar isso.

E Peter? Peter não tem mãe, mas, fugindo ao óbvio, não é essa a questão que a autora mais explora na formação da personalidade dele, e sim a luta que ele trava internamente contra a própria natureza. Peter herdou do pai a ferocidade. “As mãos estavam sempre fechadas com força, como se ele torcesse para que alguma coisa o fizesse explodir.” O menino reconhece em si mesmo esse risco constante de, como diz, “entrar em curto-circuito”; de entrar em erupção e acabar ferindo as pessoas à sua volta. Mas ele se recusa a tomar posse dessa herança. Por ter crescido sofrendo as dores de ter que estar sempre pisando em ovos, ele tem medo de ferir as pessoas que ama como o pai o feriu. E, nessa luta invisível, o único que vai reconhecer seu esforço é ele mesmo. O mundo lá fora precisa de explicações, e explicar o que acontece dentro da gente não é tarefa fácil.

Por isso, a cada dia precisamos nos lembrar daquele velho preceito:

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>> Leia um trecho de Pax

 

Sheila Louzada faz parte da equipe de literatura infantojuvenil da Intrínseca e nunca teve raposas nem gatos nem cachorros. Tem um pato de borracha chamado Tofu.

Respostas de 5

  1. Ai estou doida pra ler Pax! Já está na minha lista de leituras <3

  2. Já li Extraordinário e amei! Estou doida pra ler Pax! Já está na minha lista de leituras <3

  3. Fabiana Almeida disse:

    To lendo o Extraordinário e já amei do começo, Vou acrescentar Pax na minha lista. S2

  4. Daniela Basílio disse:

    Pax é um livro maravilhoso! Estou muito ansiosa pela publicação da sua continuação. Todos que amaram ler Pax devem estar igualmente ansiosos para ler sua sequência! Esperamos que a Intrínseca publique logo.

  5. Daniela Basílio disse:

    Uma pena que a Intrínseca não tenha publicado a sequência de Pax…

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