Literatura sem vaidade

Elena Ferrante, com todo o sucesso que atingiu, abriu mão da fogueira das vaidades.

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(Fonte: Slate.com)

Nesta semana, a notícia que mais repercutiu no meio cultural foi a revelação do rosto por trás da escritora italiana Elena Ferrante, um dos mais famosos pseudônimos da literatura atual. Ao que tudo indica, Elena Ferrante seria, na verdade, Anita Raja, 63 anos, tradutora responsável pela publicação, entre outros, de autores como Franz Kafka em italiano.

O jornalista italiano Claudio Gatti foi fundo para tentar revelar quem é Elena Ferrante. Ele cruzou os dados de vendas dos livros da autora com o aumento nos repasses feitos pela editora a Anita. Descobriu que, dado o sucesso global de todos os livros de Elena, os depósitos bancários cresciam na mesma proporção dos ganhos da editora.

Seja ou não Anita a verdadeira Elena, tudo o que tenho a dizer é: não importa. O que me é claro é que a pessoa por trás desses livros optou por um caminho raro no mundo das artes, onde todo mundo parece estar em busca de reconhecimento. Elena Ferrante, com todo o sucesso que atingiu, abriu mão da fogueira das vaidades.

Ao concentrar-se na mais importante fase da literatura — a criação em si —, deixando a promoção e o lançamento por conta de seus editores, Elena conseguiu formar uma legião de fãs e também conceber suas histórias em uma velocidade muito maior. Ampliou sua base de leitores da melhor forma possível: encantando-os.

Neste momento, dois livros de Elena Ferrante fazem parte da minha lista de leituras: A amiga genial, primeiro capítulo de uma tetralogia, e Dias de abandono. Em ambos, encontrei personagens femininas fortes, uma prosa direta e um estilo discreto que, sem firulas, joga o leitor em histórias absorventes e bem observadas.

A Intrínseca está publicando um título novo de Elena — A filha perdida — que, certamente, entrará na minha lista de futuras leituras. A fluidez da narrativa de Elena certamente deverá ser, a partir de agora, uma fonte de inspiração para meus próximos livros.

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