Esposas no banco dos réus: como surgiu o thriller A viúva

As inspirações de Fiona Barton

3 minutos

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Por Fiona Barton*

Passei muito tempo observando as pessoas. Não apenas em cafés e estações de trem, mas como parte do meu trabalho. Por ser jornalista, fui uma observadora profissional — “uma observadora treinada”, como gostamos de brincar —, identificando a linguagem corporal e os tiques verbais que nos tornam únicos e interessantes aos outros.

Ao longo dos anos entrevistei as vítimas, os culpados, os famosos e as pessoas comuns afetadas pela tragédia ou pela sorte. Mas, estranhamente, as pessoas sob os holofotes nem sempre me marcaram. Com frequência são aqueles na periferia, os coadjuvantes do drama, que continuam a me assombrar.

Em grandes julgamentos — crimes notórios e terríveis que emplacam manchetes — eu me vi observando a esposa do homem no banco dos réus e me perguntando o que ela realmente sabia, ou se permitia saber.

Você também a viu nos noticiários. É preciso olhar com atenção, mas ela está lá, de pé em silêncio atrás do seu homem na escadaria do tribunal. Ela consente e aperta o braço do marido enquanto ele jura inocência, porque acredita nele.

Mas o que acontece no momento em que as câmeras são desligadas e o mundo para de assistir?

Tenho uma imagem bem nítida na minha mente de duas pessoas comendo torta de carne, como qualquer outro casal da rua onde moram, mas incapazes de conversar. O único som é dos talheres tilintando nos pratos enquanto eles lutam contra as dúvidas que passam por baixo de sua porta da frente.

Porque, sem testemunhas nem distrações, as máscaras acabam caindo.

Eu queria — precisava — saber como essa mulher lida com a ideia de que o marido — o homem que ela escolheu — pode ser um monstro.

E surgiu Jean Taylor. Ela é a mulher silenciosa que com tanta frequência vi na escadaria do tribunal, a esposa que observava, inexpressiva, enquanto o marido testemunhava.

No livro, o meu primeiro romance, Jean conta as suas versões pública e particular de um marido adorado e um casamento feliz que foi virado de cabeça para baixo quando uma criança desaparece e a polícia e a imprensa batem à sua porta.

Espero que você goste do livro. Adorei escrevê-lo, e não consigo agradecer o suficiente a Jean Taylor — e às mulheres que a inspiraram.

 

> Leia um trecho de A viúva

 

Fiona Barton é uma experiente jornalista que trabalha capacitando novos profissionais pelo mundo afora. Antes, foi repórter do The Daily Mail, chefe de reportagem do The Daily Telegraph e repórter especial do The Mail on Sunday, onde conquistou o prêmio de Jornalista do Ano pelo British Press Awards. Nascida em Cambridge, na Inglaterra, atualmente mora no sudoeste da França.

Respostas de 3

  1. Francisca maria da Silva disse:

    Gostei quero comprar

  2. Estou na reta final! Amando demais o livro, ainda mais porque faço jornalismo e adoro thrillers, mais ainda os policiais!

  3. Mariane Souza disse:

    Esse livro é simplesmente perfeito!! Estou extasiada com tanta perfeição. E me sinto na obrigação de espalhar por aí a minha gratidão por ler este livro. Eu literalmente acabei de termina-lo e estou simplesmente em êxtase. Se tiverem a oportunidade de ler, por favor LEIAM!

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