Clarice Freire

Confira a coluna da autora de Pó de lua
Somos passageiros de um trem sem destino certo.
Só sente cheiro de saudade quem degusta o tempo com todos os sentidos que ele traz.
Nos fins de tarde, me largava no balanço da árvore.
Se joga na estrada que o asfalto ainda está quente, não dá pra sentir?
Cada dia acho mais que impossíveis não existem.
Por trás da poesia há carne e osso. Alma e gosto. Desalma e desgosto.
Como não aproveitar para ouvir as vozes abafadas pelo barulho do chão?
Minha sensação ao andar a pé pelo Recife é a de conhecer outra cidade, meio macromicroscópica.
Nas noites em claro me encontro com seres fantásticos, imagináveis.